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Carlos Alberto Decotelli. Foto: Divulgação
Carlos Alberto Decotelli. Foto: Divulgação

Um vocacionado à causa da educação. Por Antônio Campos

José Matheus Santos

José Matheus Santos

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Publicado em 29/06/2020 às 9:12

Por Antônio Campos, em artigo enviado ao blog

“Triste época a nossa! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. A famosa frase atribuída a Einstein bem serve para começar uma reflexão sobre o Brasil de hoje. E em especial a uma parte das reações veiculadas nos meios de comunicação sobre o novo ministro da Educação.

O Brasil é, desde há muito tempo, um dos lugares no mundo onde mais prospera uma doença das mais contagiosas: o denuncismo. A rapidez com que se busca um ato ou mesmo um mero indício que desabone uma conduta se configura mais do que uma doença, quase um esporte nacional. No caso específico e muito recente do que sofreu o novo ministro da Educação parece indicar mais do que mero gosto mórbido pela desestabilização do país.

O que há por trás da mesquinharia que, mesmo depois de uma serena e altiva explicação, continua sua busca implacável? Basicamente, duas coisas: o preconceito que não ousa dizer o próprio nome e os interesses contrariados.

Por mais que se proclame o Brasil como uma “democracia racial”, sabemos o longo caminho a percorrer para chegarmos não à perfeição nisso, mas, ao menos num grau em que as elites admitam como um seu igual um afrodescendente. Para ficar apenas nesse exemplo. Se pudesse ser lido o pensamento ou o sentimento de parte significativa dos que se consideram a elite do país, uma frase lida seria: “Ele não pode estar aí”. Isto nada mais é do que uma nova e ainda mais pobre versão daquela tão antiga quanto o preconceito no Brasil: “Ele precisa conhecer o seu lugar”. Isso acontece, sem que ninguém admita, porque várias vezes se dá de modo subliminar e inconsciente.

Ao desencadear-se uma cruzada moral e hipócrita minutos depois de anunciado o nome do novo ministro da educação, nos faz naqueles de linha reta, sem um erro, sem um pecado, sem um arranhão, sem uma mácula. Ironizados no Poema em Linha Reta, de Fernando Pessoa: “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.”

Ainda que não admitam muitos, os preconceitos no Brasil não se limitam a racismo, sexismo ou origem social. Há diversos outros ismos. Um dos mais estranhos e em mais de um artigo e entrevista referido por Gilberto Freyre é o do phdeísmo. Ninguém de boa consciência pode pensar que a titulação acadêmica define a competência de um ministro. Será a sua capacidade de gestão, os resultados concretos do seu trabalho falarão por si e calarão os seus críticos. Ou pré-críticos.

Quem conhece de perto o professor Carlos Decotelli sabe o seu preparo intelectual, seu caráter e seu compromisso em servir à causa pública. O seu trabalho vencerá à tentativa tão apressada quanto preconceituosa e vã de desqualificá-lo. Sua seriedade e capacidade de trabalho estão acima de todos os preconceitos e discriminações, veladas, reveladas ou disfarçadas.

Carlos Decotelli é vocacionado para a grande causa da Educação. Tenho plena convicção de que será um grande ministro. Já o é, com a humildade e força agregadora que demonstra.

*Antônio Campos é escritor e acadêmico.


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