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Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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É preciso educar para uso consciente das redes, diz João Campos

Blog de Jamildo

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Publicado em 12/06/2019 às 14:51

Hoje, construindo o futuro

Por João Campos, deputado federal pelo PSB de Pernambuco

Aprendi, desde cedo, que o grande parâmetro para a avaliação do vigor de uma economia moderna é o conhecimento, e que o caminho para o progresso perpassa a inovação. Vi meu pai, o ex-governador Eduardo Campos, enquanto deputado, ser convidado pelo presidente Lula para responder pela pasta de Ciência e Tecnologia. Acompanhei os avanços que ele, na condição de ministro, propôs para o setor com o aumento dos investimentos, bem como seu grande trabalho pela aprovação da Lei de Inovação Tecnológica.

Antes dele, Pernambuco viu os avanços propostos por Doutor Arraes, ao pensar além de seu tempo, sendo sempre inovador. Em 1988, ele criou a 1ª Secretaria de Ciência e Tecnologia do Norte-Nordeste e, na época, uma das poucas no Brasil, instalou os primeiros dessalinizadores, mais de 30 anos antes do atual governo federal falar em dessalinizadores como uma novidade. É nesse contexto que busco dar continuidade a esta pauta de inovações e integro a Frente Parlamentar Mista de Economia e Cidadania Digital, ou, como chamamos no Congresso, a Frente Digital.

A Frente é uma ponte entre passado e futuro, que impulsiona uma série de iniciativas, como a Revolução Industrial 4.0 – a qual propõe uma integração inteligente dos mundos físico e digital, ao possibilitar, por exemplo, um melhor monitoramento do trânsito, pelo uso de carros autônomos e tecnologias inovadoras.

Para tanto, nós, da Frente, já apresentamos hoje o Projeto de Lei N° 3443/2019 para desburocratizar e garantir maior transparência no acesso a dados públicos: o GovTech, uma iniciativa que vai revolucionar o Brasil! Por essa lei, seguimos o exemplo de países com alto nível de digitalização em seus serviços públicos, como a Dinamarca, Suécia, Finlândia e Reino Unido. Criamos o marco jurídico necessário para a digitalização desde a emissão de uma carteira de identidade até a marcação de uma audiência e de uma consulta médica ou qualquer outro serviço oferecido pelo poder público, evitando assim gastos e perda de tempo com o deslocamento físico.

O nosso grupo na Frente Digital é suprapartidário, são 201 deputados, 11 senadores e 8 coordenadores. Ocupo a Coordenação de Smart Cities e Desenvolvimento Urbano da Frente, isto é, sou responsável por trabalhar em prol da regulamentação e proposição de iniciativas capazes de solucionar problemas e propor uma cidade mais “smart”.

Smart City ou “Cidade inteligente” é uma cidade que faz uso de tecnologias de informação e comunicação (câmeras, sensores, smartphones, aplicativos, plataformas, entre outras soluções digitais) como instrumentos de gestão urbana para torná-la mais eficiente, no âmbito, por exemplo, da mobilidade e drenagem urbana. Ferramentas essas que, quando aliadas a estudos e planejamentos estratégicos efetivos, são capazes de propor soluções inteligentes e sustentáveis para quem vive, por exemplo, em área de morros.

E existe espaço para atuarmos em soluções inteligentes que incluam as pessoas. Hoje, mais de 65% da nossa população possui acesso à internet e fica conectada por uma média de 9 horas por dia, sendo a 4ª maior população online do mundo. Mas, em relação a isso, existe um dado que deve ser levado em conta: não temos uma cultura de inovação. Dados do Índice de Habilidades Digitais produzido pela Google Brasil mostram que o brasileiro hoje tem na verdade um deficit de criação digital. Na pesquisa realizada, em uma escala de 0 a 5, a nota média dos brasileiro foi de 1,8 para a sua capacidade de criação digital, uma pontuação bem abaixo das demais médias atribuídas no estudo, acima de 3 nas competências de acesso e uso da internet. O maior acesso à internet também está ligado ao uso dos smartphones (49% dos internautas brasileiros usam apenas o telefone celular para acessar a rede).

Principalmente nos smartphones, a maior parte da atividade está ligada à troca de mensagens em redes sociais. Ou seja, precisamos aproveitar melhor as horas e a disponibilidade da internet. Por meio do nosso Instituto Cidadania Digital, que já foi criado a partir da Frente, vamos firmar parcerias entre o poder público, a academia e o setor produtivo para garantir que a inovação realmente deslanche.
Paralelamente, já estamos em contato com instituições que são referência na área: Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Porto Digital e CESAR, entre outras.

É preciso garantir uma democratização da internet, tal qual foi feito na década de 90 com a telefonia fixa. São novos tempos e estes pedem novas atitudes em relação à inovação! Mais do que isso, é preciso educar a sociedade para um uso consciente das redes.

Ao longo do mandato, atuaremos na linha de frente, para garantir que a inovação, pensada, lá atrás, por Doutor Arraes esteja sempre à frente de seu tempo. Afinal, “a inteligência de nosso povo é o nosso maior capital”, ou seja, é a partir do incentivo à economia criativa, por meio do investimento no capital intelectual, que vamos alcançar um progresso imensurável.

Leia a íntegra do projeto de lei do GovTech


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