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Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República
Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República

Bolsonaro lança nesta segunda campanha defendendo reforma da Previdência

jamildo

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Publicado em 20/05/2019 às 14:40

O governo Federal confirmou, para a tarde desta segunda 20 de maio de 2019, às 17h, a participação do presidente Jair Bolsonaro, no evento de Lançamento da campanha de publicidade “Nova Previdência. Pode Perguntar”, no Palácio do Planalto.

Na semana passada, Bolsonaro passou a frente texto da internet em que se defendia que o Brasil era ingovernável e que os políticos queriam apenas “conchavos”.

No mesmo dia, especulações davam conta que o Congresso iria apresentar um projeto alternativo para a reforma, de modo a dar protagonismo aos parlamentares, atacados pelas redes bolsonaristas e pelo próprio presidente.

Maia e outros líderes do Congresso já haviam reclamado publicamente que o presidente não defendia a reforma da Previdência, possivelmente por conta do passado corporativista na Câmara dos Deputados.

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM), criticou o presidente Jair Bolsonaro (PSL) nesta segunda-feira (20), em entrevista à Rádio Jornal. “O presidente parece não ter muita convicção quanto à reforma e não ter muito espírito democrático, apreço pelo diálogo e pelas instituições republicanas”, afirmou. “Mas não podemos permitir que essa tentativa de estabelecer o caos por parte do presidente contamine a nossa atuação”.

No fim de semana, gerou reação entre os parlamentares um texto distribuído por Bolsonaro em diversos grupos de WhatsApp na sexta-feira (17). O material, de “autor desconhecido”, trata das dificuldades que ele estaria enfrentando para governar e critica o Congresso. Além disso, deputados têm reclamado da articulação política do presidente, que vem sofrendo derrotas na Câmara, como na Medida Provisória da reforma administrativa.

Ramos afirmou que, no substitutivo que será apresentado pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP), deverão ser retirados do projeto original os trechos que mudam a aposentadoria rural e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Além disso, há uma tendência, segundo o presidente da comissão, de que saia a previdência dos professores.

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Outro trecho que não deve ser mantido é a proposta de capitalização apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. “Há uma questão social: como vai pedir que um trabalhador que recebe um salário mínimo faça uma poupança? Isso não é sustentável. Vai ter que deixar de comer e vai morrer antes do tempo de se aposentar”, disse Ramos. “Não há informações sobre quem vai pagar o estoque de aposentados nem quanto é essa conta e nós não vamos dar um cheque em branco para o governo. Essa conta pode ser maior do que o R$ 1 trilhão da economia e nós
não vamos entrar nessa aventura”.

Apesar das alterações no projeto, o presidente da comissão especial enfatizou que não haverá uma nova proposta do Congresso, como chegou a ser ventilado na última sexta-feira (17). “Houve um mal entendido. Um novo projeto reiniciaria o processo legislativo”, frisou. Ramos disse ainda que serão mantidos os prazos, que preveem a apresentação do relatório ainda em maio e a votação em junho, e a previsão de uma economia de cerca de R$ 1 trilhão em dez anos.

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“O calendário da comissão está absolutamente mantido e dentro do cronograma. Mas existe um prazo regimental de apresentação de emendas, que é de dez sessões e que acaba semana que vem, para a partir daí concluir audiências e apresentar relatório”, explicou. “Apresentado o relatório, o tempo já não é nosso, é o tempo da politica, que precisa amealhar os 308 votos”.

Ramos lembrou da votação sobre a idade mínima para aposentadoria no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), proposta que não passou por um voto. “Por conta disso, há 23 anos não temos idade mínima na aposentadoria, acontece que o Brasil não tem mais 23 anos para esperar”.


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