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Foto: Guga Matos/JC Imagem
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Temer deve receber modelo de privatização da Eletrobras em setembro

Amanda Miranda

Amanda Miranda

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Publicado em 17/09/2017 às 13:48

O ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, afirmou em entrevista ao programa 20 minutos, exibido na TV Jornal nesse sábado (16), que está concluindo com representantes das pastas de Fazenda e Planejamento o modelo de privatização da Eletrobras, que deverá ser entregue ao presidente Michel Temer (PMDB) ainda em setembro. No caso da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), a venda deve prever a obrigatoriedade de destinar parte dos recursos para a revitalização da bacia hidrográfica.

O objetivo do governo e de ter todo o processo de privatização concluído até o fim do primeiro semestre do próximo ano, para que não seja prejudicado pelo período eleitoral. Até a conclusão do plano de venda, Fernando Filho não tem comentado os detalhes por terem reflexo no mercado acionário.

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O objetivo é de distribuir as ações, para que o controle não fique na mão de poucos investidores. A União, que hoje tem 63%, passará a ter menos da metade, mas Fernando Filho quer manter com o governo questões que considera relevantes, como o nome da empresa e o local da sede.

Foto: Guga Matos/JC Imagem

O ministro argumenta que a empresa teve R$ 32 bilhões de prejuízo entre 2012 e 2015 e, desse total, R$ 23 bilhões foram referentes às seis distribuidoras de energia, nos estados de Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Rondônia e Roraima. “Todos nós bancamos a ineficiência da Eletrobras, das operações isoladas do Norte, dos atrasos nas obras”, reclamou.

Questionado pelo apresentador Antônio Lavareda, voltou a afirmar que a médio prazo o preço da energia deve ser reduzido. “Ninguém consegue pegar uma empresa com 23 mil funcionários e fazer a eficiência do dia para a noite”, afirmou. Para Fernando Filho, esse processo será influenciado pelo fim da burocracia do setor público. “Temos que olhar para os erros do passado e no passado o Brasil tomou a decisão de onerar a energia para a indústria e baratear para o consumidor. Vai gerar uma energia mais competitiva para a produção.”

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Alvo de críticas de políticos do seu atual partido, o PSB – embora esteja aguardando a janela partidária para migrar para o PMDB, e dos governadores do Nordeste, Fernando Filho defendeu que, com a privatização, a Chesf terá um plano de revitalização do rio São Francisco “nunca antes visto no País”. 

“A Chesf que desempenhou um papel extraordinário foi para a área de energia. Ela nunca cuidou do rio. Ninguém consegue apontar um grande investimento da Chesf para com o cuidado com o rio”, criticou. “Agora, a nossa expectativa por lei, e é isso que esta sendo trabalhado na modelagem, é de que parte dos ganhos das usinas do rio São Francisco, seja quem for o controlador da Eletrobras e por consequência da Chesf, sejam investidos no rio pelo tempo da concessão, que no Brasil é de 30 anos.”


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