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AFP PHOTO / LIONEL BONAVENTURE
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Ameaças ao planeta são muito piores que há 25 anos, dizem cientistas

Renato Mota

Renato Mota

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Publicado em 14/11/2017 às 8:33

Vinte e cinco anos depois que cientistas do mundo todo lançaram um “alerta para a humanidade” sobre os perigos para o meio ambiente, uma nova atualização divulgada nesta semana diz que a maioria dos problemas do planeta está ficando “muito pior”.

Mais de 15.000 cientistas de 184 países assinaram a carta, denominada “Alerta dos cientistas do mundo para a humanidade: um segundo aviso”, que foi publicada na revista científica BioScience. A versão inicial, lançada em 1992 pela Union of Concerned Scientists, foi assinada por 1.700 especialistas.

Desde então, quase todas as principais ameaças ao meio ambiente se tornaram mais graves, em particular a crescente população mundial, que adicionou dois bilhões de pessoas ao planeta desde 1992, um aumento de 35%, de acordo com a atualização.

Outras grandes ameaças são o aquecimento global e as constantes emissões de carbono geradas pelo uso de combustíveis fósseis, bem como as práticas agrícolas não sustentáveis, o desmatamento, a falta de água doce, a perda de vida marinha e as crescentes zonas mortas dos oceanos.


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Os animais estão sofrendo como resultado das atividades humanas e estão desaparecendo a um ritmo sem precedentes. “Desencadeamos um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, em que muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas ou, ao menos, estar fadadas à extinção até o final deste século”, afirmou.

A carta destaca 13 passos que devem ser tomados, incluindo ampliar o acesso aos métodos contraceptivos, “estimar um tamanho de população humana sustentável e respaldado cientificamente a longo prazo” e mobilizar “nações e líderes para apoiar esse objetivo fundamental”.  Outras medidas incluem promover dietas à base de plantas e energias renováveis, e ao mesmo tempo eliminar os subsídios para combustíveis fósseis.

A desigualdade de renda deve ser corrigida e “os preços, a tributação e os sistemas de incentivo (devem) levar em conta os custos reais que os padrões de consumo impõem ao nosso meio ambiente”. Na natureza, as reservas protegidas devem ser estabelecidas “em uma proporção significativa do planeta”, e o tráfico de animais silvestres e a caça furtiva ilegal devem parar.

“Para evitar a miséria generalizada e a perda catastrófica de biodiversidade, a humanidade deve praticar uma alternativa mais sustentável aos negócios”, afirmou a carta. “Esta receita foi bem articulada pelos principais cientistas do mundo há 25 anos, mas, na maioria dos aspectos, não atendemos seu aviso”.

“Em breve, será tarde demais para mudar o curso da nossa trajetória fracassada, e o tempo está acabando”.


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